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Paraguai

A pátria hoje: Entre o desfile militar e a falácia do globalismo

Debate sobre suspensão de desfile expõe fragilidade da identidade nacional e polarização política

15/05/2026 17:15 4 min lectura 0 visualizações
La patria hoy: Entre el desfile militar y la falacia del globalismo

O recente episódio de "idas e voltas" a respeito da realização do desfile militar pelas festividades pátrias de 14 e 15 de maio deixou à nu algo muito mais profundo que uma simples falta de coordenação logística no gabinete de Santiago Peña. O que presenciamos foi provavelmente um sintoma da fragilidade de nossa identidade nacional e, sobretudo, da precariedade do debate público sobre o tema, hoje sequestrado por narrativas que roçam o absurdo.

Quando o Ministério da Defesa e a Secretaria de Cultura sugeriram inicialmente suspender o desfile para dar lugar a um enfoque "mais cidadão e cultural", a reação de certos setores não se fez esperar. Alguns legisladores "dissidentes" tacharam a medida de "atentado à nacionalidade" e "alergia à pátria", enquanto um jornalista midiático – desde seu já conhecido alarde de retórica soberanista de "nova direita" – viu na possibilidade da ausência de botas marchando um plano orquestrado pelo Fórum de Davos e o "globalismo" para destruir o Estado-Nação paraguaio.

Quando menos é patético, para não dizer perigoso, que se tente instalar a ideia de que a soberania reside na vistosidade de um uniforme ou no ruído dos tanques na Costanera.

Sustentar que uma tal "agenda woke" busca desmilitarizar a memória para facilitar uma governança global, além de constituir uma análise intelectualmente pobre, é, definitivamente, uma cortina de fumaça que tenta ocultar as verdadeiras ameaças à nossa independência.

Assim sendo, todo este episódio se converteu, sem intencionalidade, em um plebiscito sobre a "alma nacional" e, nesse sentido, o assunto parece refletir uma pergunta filosófica de fundo: o que significa ser paraguaio hoje? O que contém esse conceito, já esvaziado de tanto se esticá-lo para cobrir realidades que não se encaixam?

A narrativa do "globalismo", instalada inicialmente por Donald Trump e seus seguidores, é uma narrativa potente e perigosa: mistura verdades, meias verdades e fantasmas em proporções desenhadas para que não se as possa refutar sem parecer cúmplice do inimigo. Há algo de verdadeiro em que os organismos internacionais têm agendas, interesses e pressões. O que a narrativa omite, deliberadamente, no caso paraguaio, é que nossa soberania não a erosionam os tecnocratas de Davos: a erosionam os próprios capangas daqui de dentro.

Nesse sentido, a acusação contra a ministra de Cultura, Adriana Ortiz, de tentar substituir o "orgulho patriótico" por uma visão "multicultural descafeinada" revela uma obsessão por uma memória histórica estática. Pretende-se que as Forças Armadas sejam o único pilar fundacional do Estado, esquecendo que uma nação se constrói também e, principalmente, desde o pensamento, a cultura e a dignidade de sua gente.

O Governo, diante do temor de ser tachado de "antipatriota", recuou. O vice-presidente Pedro Alliana teve que "corrigir rapidamente a nota" para acalmar as águas de uma opinião pública alimentada pela nostalgia de um passado de ordem e comando. No final, o desfile se confirmou, mas a pergunta sobre o que significa ser paraguaio hoje ficou flutuando no ar viciado de nossa política.

Resulta irônico que quem hoje rasgue suas vestes pela intenção de suspender um desfile militar seja, em muitos casos, os mesmos que guardam um silêncio cúmplice ante a verdadeira perda de soberania.

Se alguém viaja hoje pela maioria das rotas do Paraguai, não encontra a "terra prometida" dos discursos oficiais. O que encontra é o deserto verde da soja, do girassol e do arroz que avançam sobre comunidades campesinas e indígenas com litros de glifosato, deixando caos e destruição em seu caminho. Essa é a pátria hoje: uma terra entregue, saqueada e vendida ao melhor ofertante dos agronegócios e da especulação financeira.

Essa paisagem desolada que decora nosso solo de norte a sul não a impôs nenhum...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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